Tão simbólico quanto a estréia da TV digital, acompanhada por quase ninguém, deverá ser o fim das transmissões analógicas, marcado para 2016. Em tese, até lá todos brasileiros já estarão munidos de receptores ou TVs com conversores embutidos, e todas emissoras estarão transmitindo sua programação digital.
Mas o governo já admite ter um plano B para adiar o chamado “switch off” da TV analógica caso as adesões continuem baixas e as transmissões, limitadas.
“O plano existe. Se amanhã chegarmos à conclusão de que a grande maioria da população brasileira ainda não recebe a TV digital, claro que a gente pode [adiar o desligamento do sinal analógico]. O Presidente da República tem autoridade para fazer isso, ele pode estender o projeto”, afirma o ministro das Comunicações, Hélio Costa.
De acordo com Juliano Castilho, diretor da área de TV digital do CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), “esse cronograma não foi cumprido em lugar nenhum do mundo”. “Olhando exemplos de outros países, acho que há chance de não ser cumprido o cronograma. Mas isso não é o que importa”, diz.
Para Castilho, o cronograma funciona como um “direcionador”. “Se as pessoas não compraram uma grande quantidade de receptor, você não vai tirar o sinal. Não interessa a ninguém.”
“Se partirmos de uma tendência atual, a partir desse preço de lançamento conseguiríamos em dez anos atingir cerca de 80% da população, em número de residências. Daí vem a questão política: 80% é um bom número para fazer o desligamento?”, questiona o especialista.
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